Facção picha provedores de internet no Ceará e dá 24 horas para deixarem a cidade; é o segundo ciclo de ataques desde 2025
Lojas da Online Telecom e da Fox Net, em Alcântaras, amanheceram com ameaças assinadas "CV"; polícia investiga como coação e extorsão e já prendeu 100 pessoas por crimes contra provedores desde julho de 2025
ALCÂNTARAS (CE) — Duas lojas de provedores de internet de Alcântaras, na região da Serra da Meruoca, no norte do Ceará, amanheceram nesta sexta-feira (16) com as fachadas pichadas com ameaças assinadas com a sigla "CV", do Comando Vermelho, segundo o Diário do Nordeste e o Metrópoles. Uma das mensagens dá 24 horas para as empresas deixarem o município, sob ameaça de incêndio: "Vocês tem 24 horas para sair ou vamos queimar tudo", conforme a pichação reproduzida pelo Metrópoles.
Os alvos foram a Online Telecom e a Fox Net. Além das pichações, o portão de uma das lojas foi arrombado. Câmeras de segurança registraram duas pessoas pintando as fachadas com tinta vermelha durante a madrugada, segundo o Metrópoles. De acordo com o Diário do Nordeste, as lojas vinham recebendo ameaças desde quarta-feira (14). Até a publicação das reportagens, ninguém havia sido preso.
A Polícia Civil do Ceará investiga o caso como coação e extorsão, por meio da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) e do Departamento de Polícia do Interior Norte, com apoio da Coordenadoria de Inteligência da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS). A Polícia Militar reforçou o policiamento na cidade. A SSPDS disse que novas informações serão divulgadas "em momento oportuno para não prejudicar os trabalhos policiais".
O que a polícia aponta
Fontes policiais ouvidas pelo Metrópoles afirmam que as ameaças são uma forma de cobrar um "pedágio" para que as provedoras continuem operando na região. Quem recusa pagar recebe o ultimato pichado na fachada. Depois que as empresas vão embora, segundo as mesmas fontes, o grupo instala uma rede clandestina de internet e cobra mensalidade dos moradores; quem não paga fica sem conexão. Essa motivação ainda está em apuração.
Não é a primeira vez
Ataques a provedores de internet no Ceará vêm sendo investigados desde o início de 2025. Em 27 de fevereiro de 2025, provedores foram atacados no Pecém, em São Gonçalo do Amarante, em ação atribuída pela investigação a um braço do Comando Vermelho, segundo o Diário do Nordeste. Em março de 2025, a Operação Strike prendeu dois apontados como chefes da facção e fechou 14 provedores irregulares em Fortaleza, Caucaia, Horizonte e São Gonçalo do Amarante; numa fase seguinte, 15 empresários do ramo ligados ao grupo foram presos.
Segundo a SSPDS, 100 pessoas foram presas por crimes contra provedores de internet desde julho de 2025, por mandados e em flagrante, número que soma todas as ações no estado e não só o caso de Alcântaras. Em 10 de junho de 2026, a "Operação Impacto – Fase VI" da Draco prendeu oito suspeitos em Fortaleza e Maracanaú e pediu o bloqueio de cerca de R$ 3,5 milhões em contas dos investigados, conforme nota da Polícia Civil. A SSPDS informa que o protocolo do estado combina a prisão de suspeitos com o fechamento de provedores clandestinos, com base em inteligência, no Disque-Denúncia 181 e em indicadores da Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública.
Com informações do Diário do Nordeste, Metrópoles, GCMais e Polícia Civil do Ceará.
Com informações de Diário do Nordeste.
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