Protestos contra o custo de vida na França terminam com mais de 2 mil detidos, 600 agentes feridos e um morto; atos chegam a Portugal
Governo contou 550 mil manifestantes no sábado (17); a prefeitura histórica de Limoges foi em grande parte destruída pelo fogo, e houve atos também na Bélgica, na Itália e em Portugal
PARIS (FRANÇA) — Protestos contra o aumento do custo de vida reuniram centenas de milhares de pessoas em toda a França no sábado (17) e terminaram com confrontos com a polícia, saques e prédios públicos incendiados. Segundo o ministro do Interior, Laurent Nuñez, 550 mil pessoas foram às ruas, 110 mil delas em Paris; os organizadores falaram em 800 mil. No domingo (18), Nuñez informou que mais de 2 mil pessoas foram detidas no país, 855 delas em Paris, segundo a prefeitura de polícia, e que mais de 600 policiais, gendarmes e bombeiros ficaram feridos, num balanço que ele chamou de provisório, segundo a rádio pública ICI (Radio France).
Um manifestante morreu em Paris. Segundo a agência italiana ANSA, que cita a BFM TV e um relatório da polícia, o homem passou mal durante o ato, foi levado a um posto de atendimento e morreu depois de uma parada cardiorrespiratória. Ele não foi identificado. O presidente Emmanuel Macron vai falar aos franceses na noite deste domingo, segundo a ICI.
Prefeitura de Limoges destruída
Em Limoges, no centro do país, a prefeitura foi incendiada e ficou em grande parte destruída; o campanário do prédio desabou, segundo a franceinfo. O ministro do Interior afirmou que o fogo foi ateado dentro do edifício, e o jornal Le Populaire du Centre informou que mais de 15 pessoas foram detidas na cidade.
Em Marselha, manifestantes invadiram a prefeitura e lojas foram saqueadas, informou a Al Jazeera. Em Lyon, um escritório de turismo foi incendiado. Em Paris, a polícia usou gás lacrimogêneo e canhão de água, e um carro e uma banca de jornal foram queimados. Em Bordeaux, a residência oficial do representante do governo na região foi depredada, segundo a rádio Europe 1. O UOL relatou o caso de um manifestante que perdeu a mão durante os confrontos.
O Ministério do Interior atribuiu a violência a grupos de encapuzados da extrema esquerda. O presidente Emmanuel Macron criticou os “semeadores do caos, que só buscam derrubar nossas instituições”, segundo o jornal Le Monde, e prometeu punir os responsáveis. Na véspera, ele havia lembrado que manifestar-se é um direito garantido pela Constituição e pedido respeito às pessoas e ao patrimônio.
Como começou
Segundo a Al Jazeera, o movimento começou em meados de setembro em uma escola de Créteil, na região de Paris, com reclamações sobre a falta de professores e as más condições das escolas. Depois, ganhou força com a alta do custo de vida e dos combustíveis e com a crise nos serviços públicos. O movimento dos “coletes amarelos”, que em 2018 protestou contra o preço dos combustíveis, convocou pelas redes sociais o ato do sábado.
Protestos se espalham pela Europa
Os atos também tiveram confrontos fora da França no sábado (17), com motivos parecidos, mas não iguais. Em Bruxelas, na Bélgica, algumas centenas de pessoas, a maioria jovens, saíram às ruas em parte inspiradas nos protestos franceses, segundo a agência Reuters. Grupos de estudantes disseram protestar contra o aumento do custo do ensino e contra reformas que, segundo eles, dificultam o acesso à universidade. A polícia usou gás lacrimogêneo e canhão de água, e manifestantes viraram um carro. Também houve confusão em Liège. “O que acontece em Bruxelas já não é um simples protesto”, escreveu o ministro do Interior belga, Bernard Quintin, que prometeu usar “todos os meios necessários” para restabelecer a ordem.
Na Itália, as marchas foram contra o aumento do custo de vida. Em Milão, o ato do movimento Italia in Piazza começou pacífico, mas manifestantes encapuzados atiraram pedras na polícia na praça da Catedral (Duomo), puseram fogo em barricadas e saquearam lojas, segundo a Reuters e a Associated Press. A AP informou cerca de 50 detidos, muitos deles menores de idade, e pelo menos dois policiais feridos. Em Bolonha, a polícia usou canhão de água e deteve sete pessoas, segundo a Reuters. A primeira-ministra Giorgia Meloni afirmou que manifestar é um direito, mas pôr fogo nas cidades não é.
Em Portugal, milhares de pessoas marcharam pelo centro de Lisboa no sábado contra a alta do custo de vida e dos preços da moradia, segundo a CNN Brasil. Os manifestantes dizem que os salários não acompanham o valor do aluguel e das despesas básicas. O ato veio depois de dias de protesto no Porto, onde a polícia desmontou um acampamento de ativistas na madrugada de segunda-feira (12). Segundo a mesma reportagem, a inflação no país chegou a 3,6% em setembro, e o ministro dos Assuntos Parlamentares, Carlos Abreu Amorim, disse na sexta-feira (16) que o governo não cederia às manifestações de rua.
Com informações de Al Jazeera, BFM TV, franceinfo, ICI (Radio France), ANSA, Le Monde, Le Populaire du Centre, Europe 1, Reuters, Associated Press, CNN Brasil, UOL e G1.
Com informações de Al Jazeera, BFM TV, Le Monde e G1.
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