Brasil e Mundo

Relatos de ataques a igrejas em Mianmar enquanto EUA retomam diálogo

Pastores mortos e templos ocupados são citados por entidades; Washington teve duas reuniões com autoridades militares de Mianmar

Foto divulgada por International Christian Concern
Foto divulgada por International Christian Concern Foto: Divulgação, via International Christian Concern

A International Christian Concern (ICC) informou que o governo apoiado pelos militares em Mianmar voltou a ser questionado por ataques contra comunidades cristãs, incluindo mortes de pastores, uso de templos por forças armadas e destruição de locais religiosos. Esses relatos surgem enquanto os Estados Unidos retomam contatos diplomáticos de alto nível com autoridades do país.

Segundo o Burma Research Institute (BRI), o reverendo Dal Thawn Tuang, 49, pastor batista no estado de Chin, foi morto a tiros em 14 de setembro, após retornar de atividades religiosas; o funeral ocorreu em 16 de setembro, e ele deixou esposa e dois filhos. Ainda de acordo com o BRI, em junho o reverendo William, pastor batista, e Nam Ceu, outro cristão, foram executados após terem sido detidos em maio, sob a acusação de apoiar forças de oposição; fontes descreveram as mortes como extrajudiciais.

Em Kachin, líderes cristãos denunciaram o uso de igrejas por milícias. Em 13 de outubro, a ICC relatou que a Shanni Nationalities Army (SNA), alinhada aos militares, utilizou a igreja batista Nant Mun, no município de Mohnyin, para atividades militares; o BRI verificou informações de que houve cerimônia no local e uso do templo para treinamento. Um prédio da paróquia de St. Joseph teria servido de quartel da milícia, e outro imóvel do complexo foi revirado. Em 12 de outubro, conforme o Burma News International, tropas queimaram uma igreja da Convenção Batista Kachin e casas ao redor em Bhamo, em meio a combates, com presença militar na área dificultando a avaliação dos danos.

De acordo com a Reuters, autoridades dos EUA se reuniram com representantes do governo militar em Naypyitaw em setembro e novamente em Tóquio em outubro. As conversas teriam focado a libertação de um empresário americano e o fechamento de centros de golpes que atingem cidadãos dos EUA; o acesso a depósitos de terras raras também surgiu como possível tema. O Departamento de Estado disse que o engajamento busca benefícios práticos para americanos afetados por crimes transnacionais. O líder militar Min Aung Hlaing segue sob sanções dos EUA por abusos de direitos humanos.

A Comissão de Liberdade Religiosa Internacional dos EUA (USCIRF) tem registrado ataques contra comunidades religiosas em Mianmar e recomendou que o país volte a ser classificado como “País de Preocupação Particular” (CPC). A USCIRF cita destruição de locais de culto e detenções e mortes de líderes religiosos. A situação dos Rohingya também permanece crítica: os EUA determinaram que ações militares em 2017 constituíram genocídio, e a ONU relatou em agosto de 2026 o agravamento de abusos contra essa minoria, atribuindo violações tanto a forças do governo quanto ao Exército Arakan, em meio a uma crise humanitária.

Com informações de International Christian Concern.

Encontrou um erro? Avise a redação. Corrigimos com transparência, conforme a nossa política editorial.