Cristãos de origem malaia vivem 'vida dupla' na Malásia, diz organização
Pela Constituição, todo malaio étnico é muçulmano, o que impede a conversão; relato é da International Christian Concern
Cristãos de origem malaia vivem uma "vida dupla" na Malásia, segundo relato publicado nesta quarta-feira (14) pela organização International Christian Concern (ICC). Pela Constituição do país, todos os malaios étnicos são considerados muçulmanos, o que torna a saída do islamismo praticamente impossível, de acordo com a ICC, que cita o relatório anual de 2025 da Comissão dos EUA para a Liberdade Religiosa Internacional (USCIRF).
Os relatos
A ICC ouviu dois cristãos de origem malaia, identificados com nomes fictícios. Deborah, jovem criada no islamismo, diz que seu pastor conhece sua história e a aceita, mas que ela não pode ser batizada por causa de sua situação legal. Ela evita atividades da igreja que exigem o documento de identidade, onde consta a religião, e teme que a igreja sofra investigação ou fechamento se ela for denunciada.
Lukas, convertido, afirma que frequenta cultos longe de casa e que a exposição poderia prejudicar seu sustento e sua família e levá-lo a um "centro de reabilitação moral". Segundo a ICC, convertidos malaios praticamente nunca conseguem casamento ou funeral cristão no país.
Contexto
A Malásia tem cerca de 36 milhões de habitantes. Os muçulmanos são 63,5% da população, e os cristãos, em sua maioria de origem chinesa ou indígena, somam quase 10%. O país tem sistemas paralelos de tribunais civis e islâmicos, e estes geralmente se aplicam só a muçulmanos.
A ICC lembra casos de desaparecimento de líderes cristãos: o pastor Joshua Hilmy e a esposa sumiram em 30 de novembro de 2016, e o pastor Raymond Koh foi levado de seu carro em 13 de fevereiro de 2017. Em 5 de novembro de 2025, a Alta Corte responsabilizou as autoridades pelo desaparecimento de Koh, que segue sem paradeiro conhecido. A organização também diz que o partido islâmico PAS, hoje o maior do Parlamento, discute limitar cargos de não muçulmanos, e os entrevistados temem um país menos tolerante.
A ICC é uma organização que acompanha a perseguição a cristãos. A imagem é de arquivo e não ilustra os entrevistados.
Com informações de International Christian Concern.
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