Debate na Globo: veja o que Flávio Bolsonaro e Lula disseram sobre economia, saúde, educação e segurança
Último encontro antes do 2º turno, na sexta-feira (23), teve quatro blocos, propostas e troca de acusações; a votação é neste domingo (25)
RIO DE JANEIRO (RJ) — O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fizeram na noite de sexta-feira (23) o último debate antes do 2º turno da eleição para presidente, na TV Globo, no Rio de Janeiro. O encontro, mediado pelo jornalista César Tralli, teve quatro blocos e as considerações finais e terminou por volta das 23h50, segundo a VEJA. Os candidatos apresentaram propostas e trocaram acusações.
O Macaíba Gospel reuniu abaixo o que cada candidato disse sobre os principais temas, com base na cobertura da imprensa. Os dois aparecem em ordem alfabética, com o mesmo espaço e sem avaliação de desempenho.
Infraestrutura e regiões
Flávio Bolsonaro citou relatório do TCU com mais de 11,5 mil obras paralisadas e prometeu concluir a Transnordestina e fazer o eixo Sul da ferrovia, ligando o Centro-Oeste ao Paraná e a Santa Catarina. Para o Nordeste, disse que a região "não é problema, é solução" e que será "o carioca mais nordestino". Para o Norte, defendeu o Marco do Saneamento.
Lula afirmou que nunca se investiu tanto em infraestrutura e que o governo herdou 6 mil obras paradas. Citou a BR-319, a Transnordestina, a Fiol e a Fico, a transposição do São Francisco e, nas exportações, a abertura de 700 novos mercados.
Salário mínimo, dívidas e juros
Flávio Bolsonaro prometeu reajustar o salário mínimo e as aposentadorias acima da inflação, defendeu a autonomia do Banco Central e propôs comprar dívidas de pessoas e empresas e refinanciá-las pela Caixa, com seis meses sem pagamento para pessoas físicas e um ano para empresas.
Lula disse que, sem os reajustes dos governos do PT, o salário mínimo seria de R$ 900. Afirmou que já mandou ao Senado uma proposta para comprar dívidas com desconto de até 95% e citou o perdão de quase R$ 15 bilhões em dívidas de 4,5 milhões de devedores.
Saúde e educação
Flávio Bolsonaro criticou as filas do SUS, disse que vai "manter e investir no SUS" e que os cortes seriam "na corrupção, na burocracia e nos impostos". Na educação, prometeu manter o Pé-de-Meia, criar vale-creche e cursos de tecnologia.
Lula perguntou como o adversário melhoraria o SUS com cortes de gastos. Na educação, prometeu escolas integrais em 100% do país e o Pé-de-Meia também para universitários.
Segurança pública
Flávio Bolsonaro prometeu classificar PCC, Comando Vermelho e milícias como organizações narcoterroristas, reduzir a maioridade penal para 16 anos e para 14 anos em casos de estupro e endurecer penas.
Lula defendeu a PEC da Segurança Pública, prometeu um ministério próprio para a área e o fortalecimento da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal. Citou o caso de Ana Clara, menina de 5 anos morta no Rio, e questionou o adversário por ter atuado na defesa do policial réu; Flávio disse acreditar que o disparo não partiu desse policial, que ainda não foi julgado.
Acusações e pedido de desculpas
O debate teve ataques dos dois lados. Flávio chamou Lula de "nove dedos"; Lula respondeu que perdeu o dedo num acidente de trabalho aos 17 anos e chamou o adversário de "miliciano". Mais tarde, Flávio pediu desculpas: "Se eu te ofendi porque eu te chamei de nove dedos, eu te peço desculpa, de verdade", segundo o Correio Braziliense. No último bloco, os dois trocaram acusações sobre o caso do banqueiro Daniel Vorcaro e uma ilha em Angra dos Reis, e Lula propôs que ambos abrissem os sigilos bancários na Justiça, segundo a VEJA.
Considerações finais
Flávio Bolsonaro disse que o pai, Jair Bolsonaro, é injustiçado, prometeu devolver o poder de compra e retomar territórios do crime organizado e pediu que os eleitores rezassem um Pai-Nosso, segundo a VEJA.
Lula lembrou o passado de operário e pediu o voto no domingo, segundo a VEJA, voltando a chamar o adversário de "miliciano".
O que dizem as checagens
Agências de checagem verificaram falas dos dois candidatos. Alguns exemplos, dois de cada um:
- Flávio disse que Jair Bolsonaro deu o Bolsa Família de "no mínimo R$ 600". O Fato ou Fake (Grupo Globo) explica que a primeira etapa do aumento, para R$ 400, foi de Bolsonaro, mas a ida a R$ 600 veio de uma emenda aprovada pelo Congresso;
- Flávio chamou Lula de "pai do Tigrinho". Segundo o Aos Fatos, as apostas on-line foram liberadas em 2018, no governo Michel Temer;
- Lula disse que herdou 6 mil obras paradas. Segundo o Aos Fatos, com dados do TCU, eram 8.603 em abril de 2023;
- Lula disse que acabou com a fome no país em 2012. Para o Fato ou Fake, "não é bem assim": o Brasil saiu do Mapa da Fome da ONU em 2014, no governo Dilma Rousseff. Já os 33 milhões de pessoas com fome em 2022, citados por Lula, são #FATO.
As checagens completas estão no Fato ou Fake e no Aos Fatos.
No domingo (25), o Macaíba Gospel acompanha a apuração do 2º turno com os números oficiais do TSE, sem comentários nem projeções, na aba Apuração.
Com informações do g1, do Correio, do Correio Braziliense, da VEJA, do Fato ou Fake e do Aos Fatos.
Com informações de TV Globo, via g1, Correio, Correio Braziliense, VEJA e Aos Fatos.
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