Brasil e Mundo

Depois do resultado: líderes de outros países parabenizam Lula, Trump e Milei não se manifestam, e Flávio diz que vai pedir a anulação da eleição; TSE defende o processo

Presidentes de direita e de esquerda da América Latina mandaram mensagens, e a imprensa de fora destacou a virada; o presidente do TSE diz ter "absoluta segurança de todo o processo eleitoral", e o STF e a PGR defenderam o resultado das urnas

Foto ilustrativa: urnas eletrônicas do TSE
Foto ilustrativa: urnas eletrônicas do TSE Foto: O Tribunal da Democracia (TSE), via Flickr (domínio público)

O resultado do 2º turno, com a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL), teve reação dentro e fora do país na noite deste domingo (25). Presidentes de vários países da América Latina parabenizaram Lula. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o da Argentina, Javier Milei, não haviam comentado a vitória até as últimas atualizações do G1 e da Folha de S.Paulo. No Brasil, Flávio disse ser "impossível" reconhecer o resultado e anunciou que vai pedir a anulação da eleição; o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o do Supremo Tribunal Federal (STF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) defenderam o processo eleitoral.

O que disseram os outros países

Segundo a Folha, até o fim da noite de domingo os líderes de Bolívia, México, Uruguai, Paraguai, Chile e Cuba haviam parabenizado Lula, um grupo que reúne governantes de direita e de esquerda. A CNN Brasil registrou também as mensagens dos presidentes do Equador e do Panamá. As falas abaixo foram publicadas nas redes sociais e traduzidas pelos veículos citados:

  • Chile: o presidente José Antonio Kast disse ter telefonado para Lula. "Chile e Brasil têm muito futuro em comum e continuarão trabalhando por uma agenda que potencialize as relações entre nossos países em integração econômica e combate ao crime organizado na região", escreveu (CNN Brasil).
  • Paraguai: o presidente Santiago Peña escreveu: "Parabéns, Lula, pela sua eleição como presidente do Brasil. Saúdo o povo brasileiro por esta grande jornada democrática" (Folha).
  • Bolívia: o presidente Rodrigo Paz afirmou que "Bolívia e Brasil são países vizinhos e irmãos, unidos por uma história e desafios comuns" (CNN Brasil).
  • Equador: o presidente Daniel Noboa escreveu que "nossa região tem inimigos comuns, desafios compartilhados e muito a ganhar quando trabalhamos juntos" (CNN Brasil).
  • Panamá: o presidente José Raúl Mulino parabenizou "o povo brasileiro por esta jornada democrática e, especialmente, o presidente Lula pela vitória" (G1).
  • Uruguai: o presidente Yamandú Orsi disse ter conversado com Lula e o parabenizado "pela vitória e pela festa democrática que um processo eleitoral representa" (CNN Brasil).
  • México: a presidente Claudia Sheinbaum escreveu: "Viva a democracia, ganhou o povo do Brasil. Parabéns, presidente Lula!" (CNN Brasil).
  • Cuba: o presidente Miguel Díaz-Canel chamou Lula de "irmão" e falou em "vitória histórica" (CNN Brasil).

Ex-presidentes também se manifestaram, entre eles Gabriel Boric (Chile), Evo Morales (Bolívia), Alberto Fernández e Cristina Kirchner (Argentina), segundo a CNN Brasil, e Gustavo Petro (Colômbia), segundo o Brasil de Fato. Nos Estados Unidos, o senador Bernie Sanders, da oposição a Trump, escreveu: "Parabéns a Lula por sua extraordinária vitória na reeleição para a presidência do Brasil" (ICL Notícias).

Como a imprensa de fora noticiou

Segundo a Agência Brasil, a reeleição foi manchete nos principais sites de notícias do mundo:

  • The New York Times (Estados Unidos) destacou a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro;
  • The Guardian (Reino Unido) destacou que Lula perdeu o 1º turno e virou a disputa no 2º, conquistando o quarto mandato;
  • El País (Espanha) citou a virada e a diferença de cerca de 4 milhões de votos;
  • Associated Press (agência dos Estados Unidos) tratou o resultado pelo que ele significa para a relação com o governo Trump e a América Latina;
  • Der Spiegel (Alemanha) destacou a continuidade de Lula, aos 80 anos;
  • Clarín (Argentina) registrou a vantagem de mais de três pontos percentuais;
  • Al Jazeera (Catar) noticiou a vitória por pequena margem e o quarto mandato, citando o órgão eleitoral oficial do Brasil.

Quem ainda não falou

Até as últimas atualizações do G1, Donald Trump não havia comentado o resultado. Na véspera da votação, ele disse que acompanhava o 2º turno, sem declarar apoio a nenhum dos candidatos, segundo o Metrópoles e a CNN Brasil.

Javier Milei também não havia parabenizado Lula. Segundo a Folha, até a publicação da reportagem do jornal o presidente argentino só tinha compartilhado nas redes publicações que questionam o processo eleitoral brasileiro.

O que disse Flávio Bolsonaro

Em pronunciamento depois do resultado, Flávio criticou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que prorrogou a votação até as 19h a pedido da coligação de Lula. "É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram. Nós vamos usar o nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições", afirmou, segundo o G1. Ele também disse que houve "uma quebra total de isonomia entre os brasileiros de diversas cidades, de diferentes estados".

O G1 lembra que, na tarde de domingo, a própria campanha de Flávio pediu ao TSE a extensão do horário de votação em municípios de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Santa Catarina. Até a publicação desta matéria, nenhum pedido formal de anulação havia sido divulgado.

Renan Santos pediu um novo 2º turno

Ainda durante a apuração, antes do resultado, o ex-candidato à Presidência Renan Santos (Missão), cofundador do Movimento Brasil Livre (MBL), que disputou o 1º turno, defendeu em vídeo no X que o 2º turno seja refeito em duas semanas. Segundo o Estadão Conteúdo, publicado pela Folha de Pernambuco às 19h48, ele disse que a decisão do STF de prorrogar a votação, divulgada depois das 17h, afetou o direito de voto, falou em "vilipêndio" desse direito e afirmou que o adiamento seria preciso para evitar conflitos armados. No fim do vídeo, ele culpou o STF pela "confusão". A Justiça Eleitoral não marcou nova votação.

O que dizem o TSE, o STF e a PGR

O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou ter "absoluta segurança de todo o processo eleitoral". Segundo ele, como a decisão de Zanin saiu depois das 17h, milhares de urnas já estavam encerradas e não podiam ser reabertas, e o tribunal bloqueou o recebimento dos boletins de urna até ter certeza de que a prorrogação não afetaria a apuração. "Prorrogar uma eleição é possível, mas tem que ser pensada, tem que ser calculada e estruturada", disse, segundo o G1. Nunes Marques confirmou Lula como presidente eleito, para o mandato que começa em 5 de janeiro de 2027, e disse ter telefonado para os dois candidatos.

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, divulgou nota em que diz ser "tempo de reafirmar o respeito à vontade soberana do povo brasileiro, livremente manifestada nas urnas". O procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que "o respeito à vontade manifestada nas urnas fortalece as instituições democráticas" (G1).

O resultado

Os números oficiais, como o TSE publica, estão na matéria do resultado para presidente, na do governador do RN e na aba Apuração, sem comentários nem projeções.

Com informações de G1, Folha de S.Paulo, CNN Brasil, Agência Brasil, Brasil de Fato, ICL Notícias, Metrópoles e Estadão Conteúdo (via Folha de Pernambuco). Leia no G1, na Folha, na CNN Brasil a fala de Flávio e a do TSE no G1 a repercussão na imprensa de fora na Agência Brasil e a de Renan Santos na Folha de Pernambuco.

Com informações de G1.

Eleição agora

Urnas fechadas: os números oficiais do TSE para presidente e governador do RN, sem comentários nem projeções.

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