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Nasa diz que a Amazônia é o "segundo dominó" de uma cadeia de incêndios ligada ao El Niño; fumaça cobre Manaus

Cientista alerta que o fogo deve durar até a estação chuvosa, em dezembro ou janeiro, e pede que as pessoas evitem queimar "a todo custo"

Imagem de satélite de 12 de outubro mostra fumaça espessa sobre o rio Amazonas e a floresta entre Manaus e Santarém (os rótulos da imagem estão em inglês)
Imagem de satélite de 12 de outubro mostra fumaça espessa sobre o rio Amazonas e a floresta entre Manaus e Santarém (os rótulos da imagem estão em inglês) Foto: NASA Earth Observatory, imagem de Lauren Dauphin com dados do instrumento MODIS, satélite Aqua (domínio público)

A seca provocada pelo El Niño de 2026 deixou a Amazônia propensa a queimadas, e a temporada de fogo está só no começo e pode ser longa e severa. A avaliação é da Nasa, em relatório do Observatório da Terra divulgado em 15 de outubro. Desde setembro, segundo a agência espacial americana, satélites detectaram forte aumento de focos de incêndio e de fumaça no centro e no leste da Amazônia, entre Manaus, Santarém e a foz do rio Amazonas.

Em 12 de outubro, a fumaça cobriu Manaus. A prefeitura informou qualidade do ar extremamente ruim, com partículas finas (PM2,5) acima de 135 microgramas por metro cúbico, a segunda pior classificação do índice regional, e escolas fecharam. De acordo com o Inmet, citado pela Nasa, a chuva em Manaus ficou 95% abaixo da média em agosto e 60% abaixo em setembro.

"O segundo dominó da cascata"

Para o cientista de sistemas terrestres Douglas Morton, do Centro de Voos Espaciais Goddard, da Nasa, o fogo segue uma "cascata" nos trópicos: primeiro vieram os incêndios em turfeiras da Indonésia e agora, segundo ele, chegou a vez da Amazônia. "Agora, na Amazônia, estamos vendo cair o segundo dominó da cascata", disse (tradução livre). Morton lamentou que florestas queimadas em 2015 e em 2023 estejam queimando de novo: "É tão marcante, e frustrante, que isso esteja acontecendo outra vez".

Segundo a Nasa, raios causam menos de 1% dos incêndios na Amazônia brasileira, e a grande maioria é causada por pessoas. Os maiores incêndios, afirma o relatório, começaram como queimadas de manejo que escaparam do controle. "Dada a intensidade deste El Niño, este é realmente o ano em que as pessoas devem evitar queimar a todo custo", afirmou Morton.

Fogo que os satélites não veem

A análise de satélites aponta de 50 a 70 incêndios descontrolados só na região de Santarém (PA). O pesquisador Shane Coffield, da Universidade de Maryland e da Nasa Goddard, identificou cerca de 40% mais focos do que os contados pelo sistema FIRMS nessa área, porque a fumaça densa e a copa das árvores encobrem o sinal dos sensores.

O que vem pela frente

A Nasa prevê que os incêndios perto de Santarém e de Manaus continuem até a chegada da estação chuvosa, em dezembro de 2026 ou janeiro de 2027. Em novembro e dezembro, a próxima onda de fogo deve atingir Roraima, o norte do Pará, o Amapá e partes da Venezuela, da Guiana e do Suriname. O risco de seca e de fogo deve chegar ao pico no sul da Amazônia brasileira e no Paraguai entre agosto e setembro de 2027.

No Amazonas, o governo estadual decretou situação de emergência em 36 dos 62 municípios em 10 de outubro. Leia também: moradora de Autazes pede socorro em vídeo e o Ministério Público investiga os incêndios.

Com informações da Nasa (Observatório da Terra) e do Nature World News.

Com informações de Nasa Earth Observatory.

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