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Fumaça das queimadas deixa Manaus com o pior ar entre as capitais e suspende aulas

Amazonas tem 36 municípios em emergência; força-tarefa com 330 brigadistas e 11 aeronaves já apagou mais de 300 focos, e Ministério da Saúde acompanha 12 cidades

Imagem de satélite da NASA (Terra/MODIS) de 10 de outubro, dia de pico dos focos, mostra a fumaça sobre o Amazonas; Manaus fica junto ao encontro dos rios Negro e Solimões
Imagem de satélite da NASA (Terra/MODIS) de 10 de outubro, dia de pico dos focos, mostra a fumaça sobre o Amazonas; Manaus fica junto ao encontro dos rios Negro e Solimões Foto: NASA Worldview / EOSDIS (domínio público)

Manaus voltou a registrar nesta sexta-feira (16) a pior qualidade do ar entre as capitais brasileiras, por causa da fumaça das queimadas no interior do Amazonas e em estados vizinhos, segundo a Agência Brasil. A prefeitura suspendeu as aulas presenciais da rede municipal como medida preventiva, e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) suspendeu aulas e atividades acadêmicas presenciais em todas as unidades, na capital e no interior.

Por volta das 6h, a plataforma IQAir registrou índice de qualidade do ar de 167, classificado como "insalubre". O monitoramento da UEA apontou ar entre "muito ruim" e "péssimo" na maior parte da cidade: no bairro Aleixo, na zona centro-sul, a concentração de partículas finas chegou a 139,6 microgramas por metro cúbico, nível "péssimo"; no Tarumã, na zona oeste, era de 39, nível "moderado".

A situação se arrasta desde a semana passada. Em 9 de outubro, a Defesa Civil de Manaus mediu 196,4 microgramas por metro cúbico de material particulado fino e emitiu alerta de risco à saúde para idosos, gestantes, crianças e pessoas com doenças respiratórias, com três orientações: beber mais água, usar máscara do tipo PFF2 e evitar exercícios físicos. Naquele dia, a prefeitura, a Ufam, a UEA e o Ifam já haviam suspendido as aulas.

Segundo a Agência Brasil, a fumaça vem das queimadas no interior do Amazonas e também de Rondônia, do Pará e de Mato Grosso. As partículas ficam dias suspensas no ar e viajam longas distâncias, e a falta de chuva mantém os poluentes na atmosfera. O governo do Amazonas decretou situação de emergência em cerca de 36 municípios em 10 de outubro, reconhecida pelo governo federal.

Força-tarefa

O número de focos vem caindo desde o pico de 494 novos focos em 10 de outubro: nesta sexta eram 188 focos ativos, segundo o painel de queimadas do Inpe citado pela Agência Brasil. O Ibama informou que 303 focos foram extintos desde o início da operação. A força-tarefa reúne 330 brigadistas coordenados por Ibama e ICMBio, 11 aeronaves (entre elas seis aviões Air Tractor e um KC-390 da FAB para lançamento de água), 32 veículos terrestres e 8 embarcações, segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.

O ministro João Paulo Capobianco disse que os incêndios resultam de ação humana intencional. A Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Civil do Amazonas investigam a origem do fogo. Para Ane Alencar, diretora de ciência do Ipam, "a única forma natural de ignição para incêndios na Amazônia são os raios", e as imagens de satélite que ela analisou mostram focos em florestas de terras públicas sem destinação, o que, segundo ela, é "um indício forte de grilagem". Alencar lembra que 2025 foi o ano com menos fogo na Amazônia na série histórica e que os efeitos do El Niño começam a ser sentidos agora, com previsão de intensificação na região centro-norte.

Saúde

O Ministério da Saúde identificou 12 municípios que precisam de algum tipo de apoio, e a Força Nacional do SUS avalia a rede de saúde junto com o estado e os municípios, inclusive o consumo e o estoque de oxigênio nos distritos sanitários indígenas. Pesquisadores do Observatório de Clima e Saúde da Fiocruz alertaram nesta semana, em documento citado pela Gazeta da Amazônia, que a fumaça ameaça especialmente as comunidades indígenas, que têm mais dificuldade de chegar a um atendimento médico. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas são os mais vulneráveis.

Como ajudar

O Tribunal de Justiça do Amazonas recebe, até domingo (19), doações de máscaras de proteção respiratória, soro fisiológico, gaze, lenços umedecidos, alimentos não perecíveis e umidificadores de ar para famílias em situação de vulnerabilidade atingidas pela fumaça em Manaus e na região metropolitana, segundo o jornal A Crítica. As entregas são na sede do TJAM, no bairro Aleixo, e os umidificadores vão prioritariamente para instituições que acolhem crianças e idosos.

Igrejas e organizações cristãs com campanhas de ajuda às famílias atingidas no Amazonas podem avisar a redação pela página Envie sua notícia.

Com informações da Agência Brasil, CNN Brasil, Gazeta da Amazônia e A Crítica.

Com informações de Agência Brasil.

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