Crise no Paraguai: Banco Central intervém no Ueno Bank e afeta 2,9 milhões de clientes
Autoridade monetária iniciou processo de resolução por problemas graves de solvência; dirigentes foram detidos e governo promete garantia de depósitos
ASSUNÇÃO (PARAGUAI) — Uma grave crise financeira provocou forte impacto no Paraguai e repercussão nos mercados da América do Sul nesta quarta-feira (4 de novembro de 2026). O Banco Central do Paraguai (BCP) determinou a intervenção e o início do processo de resolução do Ueno Bank, após identificar deterioração severa nos indicadores de solvência e risco operacional da instituição.
Com a medida de emergência adotada pelo órgão regulador, as operações bancárias do Ueno Bank foram imediatamente interrompidas, suspendendo transações via aplicativo digital, transferências e atendimentos nas agências físicas em todo o país vizinho. A instituição conta com cerca de 2,9 milhões de clientes, o que gerou imediata comoção e filas nas portas das unidades bancárias.
Dirigentes detidos e investigação criminal
O caso ganhou desdobramentos na esfera penal. O Ministério Público paraguaio instaurou inquérito para apurar suspeitas de fraudes contábeis, gestão temerária e desvio de recursos. Mandados de busca e prisão foram expedidos contra dirigentes e acionistas da instituição financeira, incluindo o empresário Miguel Vásquez, um dos fundadores e controladores do banco.
A crise provocou também fortes repercussões políticas no Congresso paraguaio, gerando questionamentos sobre a fiscalização prudencial e a eventual proximidade entre executivos da instituição e membros da cúpula do governo.
Garantia de depósitos e proteção aos correntistas
Em pronunciamento público, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, afirmou que o governo acompanhará o processo para assegurar que os correntistas não sejam prejudicados. O Banco Central informou que os recursos serão ressarcidos por meio do Fundo de Garantia de Depósitos (FGD).
Pelas regras do mecanismo de proteção bancária paraguaio, depósitos de até 75 salários mínimos vigentes por pessoa física e jurídica estão cobertos pela garantia legal (o equivalente a cerca de 228,3 milhões de guaranis). A autoridade monetária anunciou um cronograma de liberação gradual dos primeiros lotes emergenciais, com pagamentos iniciais de até 10 milhões de guaranis por depositante para custear necessidades imediatas das famílias.
Impacto sobre fundos públicos e sistema financeiro
A intervenção também acendeu o sinal de alerta sobre instituições públicas paraguaias. O Instituto de Previsão Social (IPS), autarquia responsável pela gestão da previdência social e pensões no Paraguai, possuía aplicações financeiras expressivas sob custódia do banco sob resolução.
O Banco Central do Paraguai ressaltou em nota oficial que a crise é circunscrita exclusivamente ao Ueno Bank, destacando que os demais bancos comerciais que operam no país mantêm índices confortáveis de liquidez e capitalização, afastando o risco de contágio sistêmico.
Com informações de Agência EFE e AP.
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