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Igreja demolida na China vira praça com a bandeira nacional; 20 cristãos seguem presos

Segundo a ChinaAid, o terreno da Igreja Yazhong, em Zhejiang, foi pavimentado e ganhou um mastro com a bandeira chinesa, e nenhum dos processos contra os fiéis foi julgado.

Antes e depois: a Igreja Yazhong, em Yayang (Zhejiang), e o terreno transformado em praça pública com a bandeira da China
Antes e depois: a Igreja Yazhong, em Yayang (Zhejiang), e o terreno transformado em praça pública com a bandeira da China Foto: Reprodução, via ChinaAid

O terreno onde ficava a Igreja Yazhong, no sul da província de Zhejiang, na China, virou uma praça pública pavimentada, com a bandeira nacional chinesa hasteada no lugar do antigo templo. A informação foi publicada nesta sexta-feira (23) pela ChinaAid, organização cristã internacional de direitos humanos fundada em 2002.

A igreja, também chamada de Igreja Yayang, ficava na cidade de Yayang, no condado de Taishun, perto de Wenzhou. Segundo a ChinaAid, o prédio foi derrubado em maio deste ano, depois de meses de enfrentamento entre os fiéis e as autoridades locais. A congregação faz parte do movimento conhecido como Igreja Local, ligado ao pregador chinês Watchman Nee, e se reunia fora das estruturas religiosas controladas pelo Estado.

Da bandeira à demolição

De acordo com a organização, o conflito mais recente começou em junho de 2025, quando as autoridades passaram a exigir que os locais de culto exibissem a bandeira chinesa, dentro da campanha do governo de "sinicização da religião". No dia 24 daquele mês, funcionários do governo local entraram à força no terreno para instalar um mastro, e os membros resistiram.

Nos dias 14 e 15 de dezembro de 2025, mais de mil policiais e agentes de segurança foram enviados à igreja e a outros pontos de reunião. Mais de cem fiéis foram levados para interrogatório, e a maioria foi solta depois. Em janeiro, a cruz e a torre do sino foram retiradas. Em 19 de maio, máquinas pesadas derrubaram o templo principal, com a área isolada, os moradores próximos retirados e fotografias proibidas, segundo a ChinaAid.

Vinte presos sem julgamento

Fontes ouvidas pela ChinaAid afirmam que 27 cristãos ficaram detidos por mais tempo por causa da repressão. Dois foram soltos em 2025 e cinco em 2026, um deles com fiança por motivo de doença, o que deixa 20 pessoas sob custódia. Nenhum dos casos teve sentença definitiva. Entre as acusações está a de "provocar brigas e causar problemas", um crime contra a ordem pública de definição ampla.

Entre os detidos estão os irmãos Lin Enzhao, Lin Enci, Lin Enfeng e Lin Enmin, além de Ji Aijuan e do marido dela, Lin Endian, que cuidavam da escola dominical das crianças.

A ChinaAid lembra que o caso vem a público antes da cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), marcada para 18 e 19 de novembro em Shenzhen, onde são esperados o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping. Grupos de defesa americanos pedem que a Casa Branca cobre da China a situação dos cristãos presos. Sem o templo, os fiéis passaram a se reunir em pequenos grupos nas casas, segundo a organização.

Com informações da ChinaAid e do Gospel Mais.

Com informações de ChinaAid.

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