China: pastor e membros de igreja doméstica são detidos e podem ir a julgamento
Igreja com mais de mil fiéis já se reunia em grupos de até dez pessoas; outro caso, em Hunan, terminou com local de culto lacrado
Um pastor e colaboradores de uma igreja doméstica do Norte da China foram detidos pelas autoridades enquanto preparavam uma atividade cristã. O caso foi divulgado na quinta-feira (8) pela Portas Abertas, organização que acompanha cristãos perseguidos no mundo. Os nomes dos detidos não foram informados.
A igreja tem mais de mil fiéis. Por causa do aumento das restrições, ela passou a se reunir em grupos de no máximo dez pessoas, em lugares diferentes. Segundo parceiros da Portas Abertas no país, a comunidade já estava sob vigilância, e a ação da polícia parece ter seguido uma lista de pessoas preparada antes.
Detenção virou criminal
No começo, a detenção foi administrativa, modalidade que costuma durar até 15 dias. Poucos dias depois, ela foi convertida em detenção criminal, o que pode levar a uma acusação formal e a um julgamento. Os parceiros da organização temem que as ofertas da igreja sejam usadas para acusar os líderes de fraude, como já aconteceu com dirigentes de outras igrejas domésticas no país.
Os cristãos continuam num centro de detenção no Norte da China, à espera de julgamento, sem contato com a família nem com a igreja. “Por favor, ore por essa situação”, pediu Joel, nome usado pela Portas Abertas para proteger um de seus parceiros locais.
Outro caso em Hunan
No mesmo dia, a ChinaAid, organização de defesa dos cristãos chineses, relatou outro caso, em Leiyang, na província de Hunan. Segundo uma decisão policial examinada pela entidade, com trechos ocultos, o Departamento de Segurança Pública da cidade mandou deter por 15 dias o organizador de uma igreja doméstica. A ordem é de 21 de setembro.
De acordo com a decisão, dezenas de pessoas se reuniam aos domingos num subsolo para evangelismo e estudo bíblico. A polícia lacrou o local. O documento enquadra os encontros como “atividades religiosas ilegais”, com base no artigo 31 da Lei de Punições da Administração de Segurança Pública, e afirma que as provas são “conclusivas”. A detenção foi imposta pela polícia, sem passar por um tribunal. O organizador pode pedir revisão administrativa em até 60 dias ou entrar com ação judicial em até seis meses.
Com informações de Portas Abertas e ChinaAid.
Esta matéria foi útil para você?
Encontrou um erro? Avise a redação. Corrigimos com transparência, conforme a nossa política editorial.