Musk diz à The Economist que “o dinheiro não vai importar em 2036” e é contestado por economistas
Em entrevista de 1h25, o bilionário previu uma economia “quase infinita” com robôs e IA; a editora-chefe da revista questionou de onde viria o dinheiro dos cheques e como isso se sustentaria
O empresário Elon Musk disse à revista The Economist que “o dinheiro não vai importar em 2036”. A frase está em uma entrevista de cerca de 1h25 com a editora-chefe da publicação, Zanny Minton Beddoes, gravada na fábrica da Tesla no Texas e publicada em 23 de julho, na série Insider.
Beddoes perguntou o que as empresas de Musk estarão fazendo em dez anos e como vão ganhar dinheiro. Ele respondeu que, com robôs humanoides e muita inteligência digital, haverá “uma espécie de economia quase infinita”, e emendou: “Vou fazer outra previsão. O dinheiro não vai importar em 2036”. O trecho fica por volta dos oito minutos do vídeo (link direto).
O argumento
Musk explicou o raciocínio:
“Bem, para que você quer dinheiro? Quer dinheiro para bens e serviços, certo? Para comida, moradia, transporte, entretenimento. Se isso for tão abundante que os robôs e a IA estejam fornecendo mais bens e serviços do que qualquer pessoa conseguiria consumir, para que precisa de dinheiro?”
A entrevistadora respondeu: “Mas você está criando esses robôs”. Musk disse: “Acho que de vez em quando você vai precisar de dinheiro, claro”. Ele também repetiu que acredita que “o trabalho vai ser opcional” e comparou com uma horta: a pessoa pode comprar legumes no mercado ou plantar os seus, que ficam menos perfeitos.
Cheques do Tesouro e deflação
Mais adiante, Beddoes perguntou como viveriam as pessoas que perdessem o emprego e se seria preciso cobrar impostos maiores sobre o capital. Ela disse que o cenário parecia uma “renda alta universal”. Musk respondeu: “Acho que o Tesouro deveria simplesmente emitir cheques para as pessoas”. A jornalista questionou de onde viria a receita e disse que, se o governo simplesmente emitisse cheques, haveria inflação.
Musk afirmou que inflação é a relação entre a quantidade de dinheiro e a de bens e serviços. Citando como exemplo um aumento de 1.000% na produção, disse que, desde que o dinheiro criado cresça menos do que a oferta, o resultado é deflação. “Vou fazer uma previsão: a deflação será o problema, não a inflação”, disse. Ele também avisou que o caminho será “turbulento” e, sobre a inteligência artificial, afirmou que num mesmo dia pode ir “da empolgação ao terror”.
As críticas
Beddoes disse ter dúvida sobre como sair da política polarizada e temerosa de hoje para o que chamou de “nirvana” e descreveu o risco de governos reagirem ao medo com estatizações e aumentos de impostos.
Segundo o Yahoo Finance, economistas como Tyler Cowen e Noah Smith, e o American Institute for Economic Research, argumentam que a escassez não desaparece quando robôs barateiam os produtos: ela muda de lugar. Uma casa com vista para o mar, uma vaga numa universidade de ponta e o tempo de pessoas muito procuradas continuam limitados, e algo precisa decidir quem tem acesso. O site também diz que Musk não especificou quem pagaria as transferências de renda.
De acordo com o site Hardware Busters, Musk fez uma defesa quase idêntica em março, no Abundance Summit, ao empresário Peter Diamandis. A frase sobre 2036 é uma previsão do empresário, e não um dado.
Com informações de The Economist, Yahoo Finance e Hardware Busters.
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