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Arca de Noé: pesquisadores perfuram formação na Turquia e aguardam análises de laboratório

Equipe diz que radar indica estrutura não geológica em Durupınar, perto do monte Ararat; nada foi confirmado e geólogos pedem cautela

A formação Durupınar, em forma de barco, vista do mirante do centro de visitantes, em julho de 2019
A formação Durupınar, em forma de barco, vista do mirante do centro de visitantes, em julho de 2019 Foto: Wikkiwooki, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Uma equipe de pesquisadores da Turquia e dos Estados Unidos está perfurando a formação Durupınar, no leste da Turquia, para tentar saber do que ela é feita. A elevação, com cerca de 157 metros de comprimento e formato de barco, fica na província de Ağrı, a uns 29 km do monte Ararat, e é apontada há décadas por alguns grupos como o possível local da Arca de Noé. Segundo o livro de Gênesis, no capítulo 8, a arca parou “sobre os montes de Ararate” depois do Dilúvio.

Até agora, nenhuma análise de laboratório confirmou que exista ali uma embarcação ou qualquer estrutura feita pelo homem. A própria equipe diz que aguarda os resultados.

O que está sendo feito

O projeto é dirigido pelo professor Cenker Atila, do Departamento de Arqueologia da Universidade Sivas Cumhuriyet, com a organização americana Noah’s Ark Scans, fundada por Andrew Jones. Em junho, órgãos do governo turco autorizaram a investigação, que usa radar de penetração no solo, varredura a laser (LiDAR), medição da resistência elétrica do terreno e perfurações para retirar amostras.

As perfurações começaram em setembro, dentro do contorno da formação e em pontos de fora, para comparação. Segundo o grupo, as amostras foram retiradas até 18 metros de profundidade, e as brocas encontraram cavidades, uma delas com lama e água. No dia 23 de setembro, uma broca quebrou a cerca de 4 ou 5 metros de profundidade, ao atingir uma camada que a equipe descreveu como mais dura que calcário. Jones disse que madeira petrificada ou muito mineralizada “é uma possibilidade”, mas isso depende de testes.

Em entrevista à revista Newsweek, publicada em 5 de outubro, Jones afirmou que a equipe ainda não encontrou nenhum material de madeira e que, nos furos feitos dentro da formação, não foi achada rocha firme nem calcário maciço.

O radar

No fim de setembro, o grupo divulgou um relatório preliminar do engenheiro Khosrow Bakhtar, da empresa Bakhtar Research and Engineering, que fez uma varredura com um radar desenvolvido por ele. A Noah’s Ark Scans afirmou que o relatório indica que a formação “não é geológica”. Bakhtar disse que nunca viu nada parecido em cerca de 40 anos de trabalho e que as imagens mostram linhas retas, ângulos e camadas que poderiam ser corredores, compartimentos e andares. Segundo o Jerusalem Post, ele declarou ter certeza de que as marcas vêm de um mesmo objeto, mas disse não saber o que esse objeto é.

O relatório não passou por revisão de outros cientistas, e a Newsweek e o Jerusalem Post informaram que não conseguiram verificar a interpretação de forma independente.

Cautela

A maior parte dos geólogos considera Durupınar uma formação natural, moldada pela erosão. Em 1996, o geólogo Lorence Collins e o pesquisador David Fasold, que antes tinha defendido a ligação do local com a arca, publicaram um estudo concluindo que se trata de uma rocha natural.

Até entre os defensores do relato bíblico do Dilúvio há quem peça calma. Ken Ham, presidente do ministério Answers in Genesis e idealizador do Ark Encounter, a réplica da arca no estado americano do Kentucky, pediu cautela num vídeo publicado em 28 de setembro e lembrou que afirmações parecidas sobre o local foram desmentidas no passado.

Próximos passos

O local já foi alvo de outros estudos. Nos anos 1980, os pesquisadores John Baumgardner e Salih Bayraktutan fizeram perfurações de cerca de 10 metros.

Agora, as amostras foram enviadas a laboratórios e universidades para análises de matéria orgânica, minerais e microscopia, com resultados previstos para os próximos meses. O mapeamento completo por radar deve terminar em novembro, e a equipe planeja novos trabalhos de campo em 2027. O grupo diz que vai divulgar um comunicado científico depois das análises.

Com informações de Newsweek, Jerusalem Post e Noah’s Ark Scans.

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