Texas vai exigir leitura de histórias da Bíblia nas escolas públicas a partir de 2030; entenda a decisão
Conselho de educação aprovou em junho a lista com Davi e Golias, o Sermão do Monte e outras passagens; a decisão voltou a circular nas redes nesta semana
O conselho estadual de educação do Texas, nos Estados Unidos, aprovou uma lista de leitura obrigatória para as escolas públicas que inclui passagens da Bíblia. A votação foi em 26 de junho de 2026, mas o assunto voltou a circular nesta semana nas redes sociais, em vídeos que apresentam a decisão como se fosse de hoje.
A lista vale para os mais de 5 milhões de alunos da rede pública do estado e tem cerca de 200 textos, entre livros, ensaios e trechos, segundo a agência AP. Entre eles estão mais de uma dezena de passagens bíblicas, com pelo menos um texto da Bíblia em cada série, menos no jardim de infância. Não há texto de outra religião na lista.
Quais histórias entram
- Primeiros anos: Davi e Golias e Daniel na cova dos leões, em versão de livro ilustrado.
- 4º ano: passagens do Novo Testamento sobre Jesus.
- Anos finais do ensino fundamental: o Sermão do Monte e o trecho em que Jesus ensina a não andar ansioso e a buscar primeiro o Reino de Deus.
- Ensino médio: passagens bíblicas lidas como apoio a obras como "Grandes Esperanças", de Charles Dickens, e "Orgulho e Preconceito", de Jane Austen.
A rádio pública americana NPR cita também o Salmo 23 e a história de Jonas entre os textos da lista.
Quando começa a valer
A aplicação será aos poucos, a partir do ano letivo de 2030, começando pelos alunos dos primeiros anos. Até lá, nada muda nas salas de aula. Os pais poderão tirar o filho dessas leituras de forma temporária, mas os distritos escolares não poderão deixar de aplicá-las, segundo a emissora CBS Austin.
Por que o Texas fez a lista
Uma lei estadual de 2023 obrigou o conselho a definir pelo menos uma obra literária obrigatória por série. A lista aprovada vai muito além disso. O conselho, de maioria republicana, aprovou o texto por 9 votos a 5, praticamente pela divisão entre os partidos, segundo a NPR. Na mesma reunião, foi aprovado também um novo currículo de estudos sociais que liga histórias bíblicas à história dos Estados Unidos.
Segundo a AP, especialistas em educação dizem que parece ser a primeira lista do tipo no país. Antero Garcia, presidente do Conselho Nacional de Professores de Inglês dos EUA, disse não conhecer outro estado com leitura obrigatória que inclua textos religiosos. Normalmente, quem escolhe o que os alunos leem são os distritos e as escolas.
O que dizem os dois lados
Quem apoia diz que as tradições judaico-cristãs foram a base da fundação do país e devem aparecer no currículo. "A América deveria celebrar seus 250 anos, que começaram como uma nação de valores cristãos firmes", disse à AP Brooke Mazel, aposentada de Lubbock.
Os críticos dizem que a lista mistura Igreja e Estado, que a Constituição americana separa, e que deixa pouca liberdade para professores e alunos. "Isso passa às crianças a mensagem de que um único texto religioso, um texto cristão, merece estar nesta lista", disse à AP Elva Mendoza, da organização Texas Freedom Network. À NPR, Kimmy Fink, mãe católica e ex-professora, disse que as famílias têm o direito de praticar a fé como escolherem e se opôs a que o governo exija leituras da Bíblia nas escolas públicas.
O Texas, que reúne cerca de um em cada dez alunos de escola pública dos EUA, já permite capelães nas escolas e exige que os Dez Mandamentos fiquem expostos nas salas de aula, segundo a AP.
Com informações da AP (via PBS NewsHour), da NPR e da CBS Austin.
Com informações de AP, via PBS NewsHour.
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