Brasil e Mundo

Ebola: quem viajar aos EUA a partir de 3 de novembro terá de declarar que não esteve no Congo

Regra do CDC vale também para quem só faz conexão no país; surto na RDC passa de 10 mil casos confirmados e 5 mil mortes

Foto ilustrativa: passageiro no aeroporto John F. Kennedy, em Nova York, em 1º de julho de 2026
Foto ilustrativa: passageiro no aeroporto John F. Kennedy, em Nova York, em 1º de julho de 2026 Foto: Helwing Villamizar/Airways, via Airways Magazine

A partir de 3 de novembro, todo passageiro que embarcar em um voo para os Estados Unidos, inclusive quem só vai fazer conexão no país, terá de declarar que não esteve na República Democrática do Congo (RDC) nos 21 dias anteriores. A regra é do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) e tem o objetivo de evitar a entrada do ebola, que se espalha pelo leste do país africano desde maio. A Embaixada dos EUA no Brasil divulgou o aviso nas redes sociais nesta semana.

O que muda para quem vai viajar

  • Quando começa: vale para voos que partirem a partir das 23h59 de 3 de novembro no horário de Nova York, o que corresponde a 1h59 do dia 4 no horário de Brasília. A ordem vale até 18 de dezembro, se não for mudada antes.
  • Quem precisa declarar: todos os passageiros, de qualquer nacionalidade, inclusive cidadãos americanos e quem tem residência permanente nos EUA. Quem faz só conexão nos EUA a caminho de outro país também.
  • Como funciona: a declaração é feita no check-in ou antes do embarque, em papel ou de forma eletrônica, e é conferida pela companhia aérea. Cada passageiro faz a própria; pais ou responsáveis assinam pelos menores de 18 anos.
  • Sem declaração, sem embarque: as companhias devem recusar o passageiro que não apresentar a declaração preenchida e assinada.
  • Quem esteve na RDC: só pode embarcar para os EUA a partir do 22º dia depois de deixar o país. Até uma conexão em aeroporto congolês, mesmo sem sair do avião, conta como passagem pela RDC.

A regra soma-se às restrições que os EUA já aplicam desde maio a quem passou pela RDC. Segundo a agência Reuters, o governo americano também barra estrangeiros que estiveram em Uganda ou no Sudão do Sul nas últimas três semanas.

Como está o surto

O surto foi declarado em 15 de maio, na província de Ituri, e é causado pelo vírus Bundibugyo, uma das espécies do ebola, para a qual ainda não há vacina nem tratamento específico aprovados. Segundo o relatório mais recente do Instituto Nacional de Saúde Pública da RDC, com dados até 29 de outubro, foram 10.351 casos confirmados e 5.026 mortes, com letalidade de 48,6%. Outras 2.788 pessoas se recuperaram. O surto atinge 67 zonas de saúde em 8 das 26 províncias do país, e Ituri e Kivu do Norte concentram a maior parte dos casos novos.

Segundo a agência Lusa, houve casos ligados ao surto também no Quênia (nove, com duas mortes), na Nigéria (um) e na França (um). Uganda teve 20 casos e duas mortes, e a Organização Mundial da Saúde declarou o fim do surto no país em 26 de agosto. Nos EUA, nenhum caso ligado ao surto foi registrado, segundo o CDC.

E no Brasil

O Ministério da Saúde informa que não há registro de caso confirmado de ebola no Brasil e que, para a maioria das pessoas no país, o risco é baixo. A orientação é evitar viagens não essenciais às áreas com transmissão ativa, que hoje estão todas na RDC. A doença passa pelo contato com sangue e outros fluidos de pessoas ou animais infectados, e só depois que os sintomas aparecem; não há transmissão pelo ar.

Ajuda cristã na linha de frente

A organização evangélica Samaritan's Purse, presidida por Franklin Graham, mantém dois centros de tratamento de ebola na província de Ituri, abertos em junho: um com 60 leitos em Bunia e outro com 31 leitos em um hospital missionário parceiro em Nyankunde. Segundo a organização, as equipes já receberam quase 500 pacientes e deram alta a mais de 300, e o centro de Bunia foi escolhido para testes de tratamentos contra o vírus Bundibugyo. "Queremos que as pessoas saibam que Deus as ama e que elas não estão sozinhas", disse Graham.

Com informações do CDC, da Reuters, da Airways Magazine, da agência Lusa, do Ministério da Saúde e da Samaritan's Purse.

Com informações de Airways Magazine.

Encontrou um erro? Avise a redação. Corrigimos com transparência, conforme a nossa política editorial.