Dois anos depois do fechamento em massa de templos, regras de Ruanda ainda mudam a vida das igrejas
Governo diz que 9.171 templos, entre igrejas e mesquitas, foram fechados; pastores precisam de formação em teologia, e os prédios, de isolamento acústico e estacionamento
Dois anos depois das fiscalizações que fecharam milhares de templos em Ruanda, as regras do governo para os locais de culto continuam mudando a forma como os cristãos do país se reúnem, mostra levantamento publicado neste sábado (10) pela Christian Daily International.
As fiscalizações se baseiam na lei 72/2018, que regula as organizações religiosas. No fim de julho de 2024, equipes do Conselho de Governança de Ruanda (RGB) e autoridades locais vistoriaram mais de 13 mil locais de culto em cerca de duas semanas. Segundo o site do governo, mais de 14 mil casas de oração foram vistoriadas, e mais de 8 mil estavam fora das regras. Em novembro de 2025, a diretora-executiva do RGB, Doris Uwicyeza Picard, informou ao Parlamento que 9.171 templos, entre igrejas e mesquitas, tinham sido fechados depois de uma auditoria de 2024-25. Os números variam conforme a fonte e a data.
Pelas regras, pastores e representantes legais precisam ter diploma universitário em teologia reconhecido, ou outro diploma e ao menos 1.200 horas de estudo teológico certificado. Os prédios precisam ter isolamento acústico, para-raios, segurança contra incêndio, reservatório de água, saneamento e estacionamento.
As igrejas pentecostais e independentes menores, que se reúnem em salas alugadas, tendas ou casas e são lideradas por pastores leigos, foram as mais atingidas. Na Diocese anglicana de Kigeme, só 23 das 239 igrejas continuaram abertas, segundo a African Pastors Fellowship. O pastor Kabagambe Nziza, da New Life Bible Church, questionou a exigência de isolamento acústico e de estacionamento em igrejas rurais, onde muitos fiéis chegam a pé.
Muitas congregações passaram a se reunir pela internet. O pastor Dany Mutangana disse ao site KT Press que os encontros presenciais reuniam cerca de 200 pessoas, e os on-line, cerca de 70, porque nem todos têm celular ou acesso à internet.
O governo afirma que as medidas protegem os fiéis e aumentam a responsabilidade das organizações, e que o fechamento não extingue a igreja: ela pode pedir a reabertura depois de corrigir os problemas apontados. Desde junho de 2025, o pedido é feito pela plataforma on-line Irembo. Os certificados da Re-Forma, organização que forma líderes de igrejas africanas em parceria com a Aliança Evangélica Mundial, passaram a valer como formação teológica.
Com informações de Christian Daily International.
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