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Protestos contra o custo de vida reúnem centenas de milhares na França e terminam em confrontos em Paris

Terceiro sábado seguido de atos liderados por estudantes teve gás lacrimogêneo, fogo nas ruas e centenas de prisões; governo contou 320 mil pessoas

Manifestantes usam escudos improvisados durante confronto com a polícia em Paris, em 31 de outubro de 2026
Manifestantes usam escudos improvisados durante confronto com a polícia em Paris, em 31 de outubro de 2026 Foto: Pedro Nunes/Reuters, via Al Jazeera

Pelo terceiro sábado seguido, centenas de milhares de pessoas, a maioria jovens, foram às ruas na França neste sábado (31) contra o custo de vida e as condições das escolas. Os atos foram pacíficos na maior parte do dia, mas terminaram com confrontos entre grupos de manifestantes e a polícia em Paris, Lyon e outras cidades.

O governo francês contou cerca de 320 mil manifestantes no país, 70 mil deles em Paris. A coalizão de organizações de estudantes e sindicatos que convocou os atos fala em quase meio milhão, 200 mil só na capital. Pelas contas oficiais, a participação vem caindo: foram mais de 500 mil em 17 de outubro e 410 mil em 24 de outubro.

Gás lacrimogêneo no fim da marcha em Paris

Em Paris, a marcha principal foi levada para a borda da cidade, pelos bulevares que contornam a capital, depois de uma disputa na Justiça de última hora. O objetivo era proteger lojas, prédios do governo e áreas turísticas do centro. Durante horas o clima foi de festa, com música e fantasias de Halloween.

Os confrontos começaram perto da Porte de Charenton, onde a marcha terminava. Segundo a Associated Press, manifestantes atiraram garrafas e fogos de artifício contra os policiais, que responderam com granadas de efeito moral e gás lacrimogêneo. A agência AFP relatou que dezenas de pessoas mascaradas e vestidas de preto arrancaram pedras do calçamento para atirar na polícia. Lixeiras e mobiliário urbano foram incendiados. Muitos manifestantes pacíficos deixaram a marcha tossindo, alguns em direção ao Bois de Vincennes, um dos maiores parques da cidade.

Também houve gás lacrimogêneo em Lyon e confrontos em Toulouse, segundo a Al Jazeera e a imprensa francesa.

Prisões e toque de recolher

Cerca de 70 mil policiais e gendarmes foram mobilizados no país. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, tinha alertado para um risco "muito alto" de desordem, principalmente à noite, no Halloween. O Ministério do Interior informou pelo menos 290 prisões no país durante a tarde; à noite, segundo a Associated Press, as autoridades já falavam em mais de 560.

A polícia de Paris proibiu a entrada na Place de la République e em Les Halles, das 23h às 6h, no sábado e no domingo. Menores desacompanhados tiveram toque de recolher a partir das 21h na região da Champs-Élysées.

Como começou

O movimento começou em setembro com estudantes do ensino médio protestando contra escolas malcuidadas, a falta de professores e um sistema de entrada na universidade que eles consideram injusto com os mais pobres. Sindicatos e outros grupos insatisfeitos com o governo do presidente Emmanuel Macron se juntaram depois. Em 17 de outubro, os protestos tiveram alguns dos piores tumultos dos últimos anos na França, com lojas saqueadas em Paris.

Segundo a Al Jazeera, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu se reuniu durante a semana com sindicatos de estudantes e estuda medidas para aliviar o custo de vida.

Protestos também em outros países

Atos de jovens também aconteceram em outros países da Europa. Na Alemanha, o movimento "Gen Z regelt" reuniu manifestantes em mais de 30 cidades contra o aumento do custo de vida, os cortes no orçamento e a volta do serviço militar obrigatório; a polícia usou canhões de água em Frankfurt, Colônia e Hamburgo. Houve atos também em Portugal e na Itália.

Os bastidores, pela lente de um fotojornalista

O fotojornalista Emrah Oprukcu cobriu as manifestações em Paris e publicou no Instagram um vídeo dos bastidores do trabalho dele, gravado em meio ao gás lacrimogêneo e aos focos de fogo:

Vídeo: Emrah Oprukcu (@emrahoprukcu), no Instagram.

Com informações da Al Jazeera, da Associated Press (via PBS e NPR), da ICI (France Bleu) e da News24.

Com informações de Al Jazeera.

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