Protestos de estudantes voltam às escolas da França, mas em escala menor depois das férias
Ministério da Educação contou 41 escolas bloqueadas nesta segunda (2), cerca de 1% do total; entidades estudantis convocam novos bloqueios na terça e na quinta
Os protestos de estudantes do ensino médio na França recomeçaram nesta segunda-feira (2), primeiro dia de aula depois de duas semanas de férias, mas em escala bem menor que a das semanas anteriores. Segundo o Ministério da Educação, citado pela emissora pública Franceinfo, 41 escolas foram bloqueadas, cerca de 1% das 3.700 do país. Antes das férias, centenas de escolas chegaram a ser bloqueadas.
Houve tentativas de bloqueio em Paris, Marselha e Rennes, segundo a agência Reuters. O ministro da Educação, Édouard Geffray, disse à rádio France Inter que o fenômeno é "muito marginal" e que protestar é permitido, mas impedir o acesso às escolas é ilegal. Segundo a Franceinfo, ele afirmou que o ano letivo de "várias centenas de milhares de alunos" está em risco.
O que os estudantes pedem
O movimento começou em setembro, na região de Paris, com queixas sobre falta de funcionários e prédios escolares precários, e se espalhou pelo país. Os estudantes pedem reforma das escolas antigas, mais professores, mais vagas nas universidades e o fim do Parcoursup, o sistema de acesso ao ensino superior que consideram injusto. Em outubro, a insatisfação passou a incluir o custo de vida e atraiu sindicatos e outros grupos. Alguns atos terminaram em confrontos com a polícia e saques em várias cidades.
Na semana passada, segundo a Franceinfo, o governo anunciou a troca gradual do Parcoursup até 2028, cancelou cortes de vagas na educação, prometeu 500 novos postos e um limite de 28 alunos por turma no primeiro ano do ensino médio, além de 4 bilhões de euros para reformar escolas e 15 mil novas vagas no ensino superior. Representantes dos estudantes disseram que as medidas não bastam.
Novos atos marcados
Entidades estudantis, entre elas a Union Syndicale Lycéenne, convocaram novos bloqueios para terça (3) e quinta-feira (5). A União Nacional dos Estudantes da França (UNEF) chamou a terça de "dia negro" nas universidades.
No sábado (31), a onda de protestos levou cerca de 320 mil pessoas às ruas em toda a França, segundo o Ministério do Interior; os organizadores falaram em quase 500 mil. No balanço final, divulgado no domingo, o ministério contou 779 pessoas detidas.
Com informações de Al Jazeera, com Reuters e Franceinfo.
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