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Temporal em Maringá: o que se sabe sobre a madrugada que deixou a cidade em calamidade

Rajadas de quase 100 km/h derrubaram árvores, destelharam o quartel dos Bombeiros e deixaram mais de 80 mil imóveis sem energia; Simepar aponta supercélula, e oito escolas ficam sem aula nesta terça (3)

Equipes cortam árvore derrubada pelo temporal em Maringá nesta segunda-feira (2)
Equipes cortam árvore derrubada pelo temporal em Maringá nesta segunda-feira (2) Foto: Prefeitura de Maringá (divulgação), via GMC Online

Um temporal atingiu Maringá, no Norte do Paraná, na madrugada desta segunda-feira (2), feriado de Finados, e deixou um rastro de destruição em vários bairros da cidade. Árvores foram arrancadas pela raiz, ruas e avenidas ficaram bloqueadas, casas, comércios e barracões perderam o telhado e o quartel do Corpo de Bombeiros foi destelhado. O prefeito Silvio Barros decretou calamidade pública.

A força do vento

O pior da tempestade foi por volta das 3h. No Aeroporto Regional de Maringá, as rajadas chegaram a 96,3 km/h em três medições, às 3h11, às 3h14 e às 3h17, segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar). A estação do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registrou 96,8 km/h às 3h30, e a do próprio Simepar, 81 km/h no mesmo horário. Até as 11h, a cidade tinha acumulado 63,6 milímetros de chuva.

Em uma análise preliminar divulgada à tarde, o Simepar disse que os estragos, os dados de radar e as imagens de satélite indicam uma supercélula, um tipo de tempestade muito organizada e intensa, associada a uma linha de instabilidade. Esse tipo de sistema pode produzir ventos destrutivos em linha reta ou com rotação. Moradores relataram ter visto um tornado, mas o órgão não confirmou o fenômeno e diz que a classificação ainda é preliminar. Independentemente do nome, rajadas perto de 100 km/h bastam para derrubar árvores e arrancar telhados, segundo os meteorologistas.

Bombeiros, energia e ruas bloqueadas

A cobertura do prédio administrativo do batalhão do Corpo de Bombeiros, onde ficam o comando e o Estado-Maior, foi levada pelo vento, e partes da estrutura caíram sobre arquivos, móveis e equipamentos. "Toda a parte do primeiro andar ficou descoberta", disse o tenente Lucas Merchi ao g1.

Às 10h20, a Companhia Paranaense de Energia (Copel) informava 82,2 mil imóveis sem luz em Maringá. Equipes da companhia e da prefeitura passaram o dia cortando árvores caídas e liberando as vias. A Copel diz que trabalha para normalizar o fornecimento.

A pista emborrachada do Parque do Ingá, um dos cartões-postais da cidade, também ficou destruída, segundo o GMC Online.

Calamidade pública

O decreto de calamidade foi anunciado pelo prefeito na segunda-feira para agilizar contratações emergenciais e a liberação de recursos, e o município pediu ao governo federal o reconhecimento da situação, o que pode abrir acesso a ajuda financeira. O governador Ratinho Júnior disse nas redes sociais que a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros do estado estão ajudando a cidade a atender as ocorrências e retirar as árvores.

Até a publicação desta reportagem, as fontes consultadas pelo Macaíba Gospel não informavam feridos em Maringá, e a Defesa Civil municipal ainda não tinha divulgado o balanço completo de desabrigados e desalojados.

Escolas sem aula nesta terça

Oito escolas e centros de educação infantil ficam sem aula nesta terça-feira (3) por causa dos estragos: quatro da rede municipal, segundo a Secretaria Municipal de Educação, e quatro colégios estaduais, segundo a Secretaria de Estado da Educação. Nos colégios Tancredo de Almeida Neves, Juscelino Kubitschek, João de Faria Pioli e no Instituto de Educação Estadual de Maringá houve danos em coberturas, quadras e pavilhões. A maior parte dos 33 colégios estaduais da cidade deve funcionar normalmente, mas alguns ainda dependiam da volta da energia.

No restante do Paraná

Pelo balanço da Defesa Civil estadual divulgado na tarde de segunda, as chuvas entre domingo (1º) e segunda afetaram 21 municípios e cerca de 4 mil pessoas no Paraná. Ao todo, 28 pessoas precisaram ir para abrigos, 456 casas ficaram danificadas e uma foi destruída. Em Altônia, no Noroeste, o vento chegou a 109,1 km/h, e em Marquinho, no Centro-Sul, o granizo danificou telhados de casas, escolas e postos de saúde.

Orientações aos moradores

A prefeitura pede que os moradores não tentem remover árvores ou galhos por conta própria, porque eles podem estar encostados na rede elétrica. Fios rompidos e postes quebrados devem ser informados à Copel pelo 0800 51 00 116. Pedidos de remoção de árvores podem ser feitos pelo aplicativo Ouvidoria 156 ou pelo site da prefeitura.

"Deus é Deus em todos os momentos"

Entre as histórias da madrugada está a do empresário Jorge Luiz, que gravou um vídeo no barracão destelhado da empresa e lembrou a pregação que tinha ouvido no culto da véspera. Leia a matéria e veja como ajudar.

Com informações de g1 PR, GMC Online, Simepar, Copel e Defesa Civil do Paraná.

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