Rio Grande do Norte

Calor faz escorpiões aparecerem mais nas casas; UFRN explica como evitar acidentes com animais peçonhentos

Pesquisa da UFRN contou quase 480 mil acidentes com animais peçonhentos no Nordeste em cinco anos; veja onde eles se escondem e o que fazer em caso de picada

Os escorpiões respondem pela maioria dos acidentes com animais peçonhentos no Nordeste, segundo estudo da UFRN
Os escorpiões respondem pela maioria dos acidentes com animais peçonhentos no Nordeste, segundo estudo da UFRN Foto: Anastácia Vaz/Agecom UFRN

Com o calor e as chuvas fortes trazidos pelo El Niño, escorpiões, aranhas e serpentes saem dos esconderijos naturais e passam a aparecer mais em casas e quintais nas cidades. O alerta está numa reportagem da Agência de Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), publicada nesta semana, que reúne dados de pesquisa e orientações para evitar acidentes.

Segundo dados do Ministério da Saúde citados pela UFRN, o Brasil registra centenas de milhares de picadas de escorpião por ano, com mais casos nos meses quentes. O escorpião-amarelo se espalha com facilidade nas cidades porque se reproduz rápido.

Quase 480 mil acidentes no Nordeste

Um estudo publicado na Revista Ciência Plural, do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da UFRN, contou 478.240 acidentes com animais peçonhentos no Nordeste entre 2018 e 2022, com o maior número em 2022. Os escorpiões responderam por 72,13% dos casos. A maioria dos acidentes foi leve (83,44%), não precisou de soro (78,88%) e terminou em cura (87,63%). Quase 78% aconteceram fora do trabalho, e mãos e braços foram as partes do corpo mais atingidas (49,40%).

Onde eles se escondem

De acordo com a professora Juliana Silva, do Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas da UFRN, os escorpiões procuram lugares escuros e pouco mexidos: entulho, pilhas de tijolo e telha, madeira guardada, caixas, frestas em paredes e rodapés, ralos, caixas de gordura e rede de esgoto. Em áreas rurais ou perto de mata, também há risco de cobras, em terrenos com mato alto, pilhas de madeira e pedras, depósitos e lugares com ratos. No litoral, a atenção vale também para dunas e terrenos sem cuidado.

Como prevenir

  • Não acumule entulho, folhas, madeira, telhas e material de construção;
  • Mantenha quintal, jardim e terreno limpos;
  • Vede frestas e rachaduras junto a portas e janelas e ponha tela ou proteção nos ralos;
  • Controle baratas e ratos;
  • Sacuda roupas, toalhas e calçados antes de usar, principalmente se ficaram guardados ou no chão;
  • Use calçado fechado e luvas ao mexer no jardim, limpar terreno ou pegar madeira, pedras e materiais acumulados.

Se encontrar um animal peçonhento, não tente pegá-lo com a mão. A orientação da professora é manter distância e, quando for preciso, chamar o serviço do município que faz o recolhimento desses animais.

Em caso de picada

Procure uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). O Centro de Assistência Toxicológica do Rio Grande do Norte (Ceatox-RN) funciona 24 horas e orienta sobre primeiros socorros e tratamento pelo telefone 0800 281 7005 ou pelo WhatsApp (84) 98803-4140.

Com informações de Agecom/UFRN.

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